O Conselho Espírita do Estado do Rio de Janeiro (CEERJ) e a Associação Jurídico-Espírita do Estado do Rio de Janeiro (AJE) se reuniu com o arcebispo Dom Orani João Tempesta iniciando um diálogo inter-religioso em relação à defesa da vida. Juntos estamos renovando a campanha para o ano de 2017. 

campanha microcefalia2017arq

 Campanha de 2016:

Pequenos esclarecimentos à luz da Doutrina Espírita

Dra. Ana Rosa Airão

Neuropediatra , Mestre em Neurologia Pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. 
Professora do Curso de Medicina da UNIGRANRIO. 
Evangelizadora e membro da equipe da AREE/ CEERJ.

Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”
Jesus

Todos estamos acompanhando com apreensão as investigações realizadas pelos órgãos de saúde para confirmar a possível correlação entre o Zika vírus e o aumento dos casos de microcefalia em nosso país. Nossa proposta é refletirmos um pouco sobre as questões relacionadas a interrupção da gestação que vêm sendo atreladas a esta questão.

Antes de conversarmos sobre o ponto de vista da Doutrina Espírita gostaria de propor algumas reflexões com base na experiência que a Neuropediatria me proporcionou ao conviver com casos assim há mais de 20 anos.

A microcefalia é um termo usado para descrever o tamanho do crânio abaixo dos valores mínimos esperados. Não é novidade, nem um problema de saúde novo, mas vem chamando a atenção pelo número de casos que subiu de forma alarmante em nosso país nos últimos meses. Esta alteração do crânio pode estar ligada a várias condições, que em sua maioria, afetam o encéfalo (conjunto formado pelo cérebro, tronco cerebral e cerebelo) impedindo seu desenvolvimento normal. Se o cérebro não cresce e não se desenvolve, o crânio o acompanha e fica pequeno, abaixo do esperado. Por isso desde o nascimento acompanhar a medida da cabeça das crianças (além do peso e estatura) é uma obrigação dos profissionais de saúde que acompanham o desenvolvimento e a saúde infantil. As curvas de crescimento estão disponíveis para todos, profissionais e familiares, nos cartões de vacinação (chamado passaporte para a cidadania) distribuído gratuitamente pelo Ministério da Saúde ainda nas maternidades. Toda criança deve ter o seu.

As causas que levam a lesão cerebral e podem evoluir para microcefalia variam desde uma malformação durante o desenvolvimento do bebê intraútero, passando por síndromes genéticas, por falta de oxigenação durante o nascimento e por infecções como toxoplasmose, citomegalovirose e rubéola durante a gestação. Estas crianças estão em alto risco de desenvolverem alterações neurológicas e terem problemas durante seu desenvolvimento, mas é importante ressaltar que estes problemas podem ser de graus diferentes desde sequelas mínimas até casos mais graves. Independente disto a assistência adequada e o afeto sempre vão proporcionar melhores condições de vida.

Paro e me pergunto em que estas crianças diferem tanto de outras pessoas com doenças graves, às vezes sem perspectiva de cura, para que despertem uma ação tão violenta querendo decretar sua morte antes que nasçam.

Seja por uma sequela de AVC, seja por Alzheimer ou por um acidente automobilístico, enfim qualquer evento que cause lesão ao encéfalo a pessoa, o ser humano, o indivíduo e cidadão vai demandar cuidados especiais de saúde, de reabilitação multidisciplinar na tentativa de recuperar o máximo possível das funções que foram prejudicadas.

Filosoficamente temos que nos perguntar o que nos torna humanos? O fato de não falar, não poder se expressar e ser totalmente dependente de um terceiro (no caso a mãe) não tira da pessoa todo o patrimônio genético e todo o potencial que foi acumulado em milhares de anos de evolução. Qual a diferença entre uma criança que teve uma doença antes de nascer e qualquer outra pessoa que teve uma lesão grave e fica também impossibilitado de ir e vir, de se relacionar, de se expressar, de participar da vida segundo os parâmetros que arbitrariamente a sociedade impõe?

Quem ousaria determinar o que é ser e estar no mundo? Quais critérios de excelência serão exigidos para sermos considerados “viáveis” enquanto humanos? Em Esparta os bebês com alguma anomalia eram afogados... ao longo da história da humanidade diferenças de raça, religião, cor, sexo e classe social foram usadas para classificar seres humanos como de primeira e de segunda classe e assim justificar abuso, escravidão, extermínio. Atravessar a linha tênue da preservação da vida e buscar justificativas para exterminá-la é retroceder a época em que as pessoas eram vistas como objetos que podiam ser descartados quando perdiam sua serventia por serem fracos, doentes, ou idosos...ou apenas pelo capricho dos poderosos.

É preciso olhar a criança que se desenvolve durante a gestação sob condições adversas como um ser humano que luta para viver. A criança que nasce nessas condições é alguém que teve força para sobreviver a uma grave ameaça e que necessita de apoio e suporte para continuar sua caminhada, para construir sua história dentro da família e da sociedade.

Ninguém nega que exige esforço dos familiares, em geral principalmente da mãe, ter alguém que necessite de cuidados especiais sob sua tutela, mas o assunto vem sendo abordado como se estas famílias tivessem que lidar com a situação sozinhas, como se a dificuldade de um membro da sociedade não nos afetasse a todos nós.

Onde a responsabilidade dos governantes, da sociedade para apoiar e dar condições de qualidade de vida a estas crianças? Talvez esteja aí nosso maior desafio admitir que temos dificuldade em lidar com a dor do próximo. Que doença e morte nos incomodam e que ainda imaturos emocionalmente preferimos não ver. Queremos apenas o espetáculo da juventude e da beleza plástica. Dificuldade de admitir que além de fugirmos de nossa própria fragilidade, estampada nestes casos, não queremos abrir mão do prazer, do usufruir...uma sociedade que aceita investimento de bilhões em estádios de futebol, em festas de réveillon, em eventos dos mais variados e não repensa a prioridade de investir em estruturas de saúde e educação para milhares que vivem à margem do sistema econômico tem que parar e refletir. O mau uso do dinheiro público, de recursos preciosos que vêm sendo desperdiçados quando poderiam ser empregados em favor dos que mais precisam deveriam nos fazer refletir sobre as prioridades que nos movem enquanto sociedade. Justificar o aborto pela falta de recursos materiais não é verdade. Admitamos que o cuidado do mais frágil ainda não é prioridade de uma sociedade movida por valores materialistas. Façamos um autojulgamento e mudemos o rumo!

O ser humano necessita de cuidados para sobreviver ao longo de toda sua vida, somos sempre interdependentes. A mulher traz uma condição biológica que faz com que apenas dentro de seu corpo um outro ser humano possa ser gestado e preparado para a vida. Ninguém discute o direito da mulher sobre seu próprio corpo, mas a criança que se desenvolve ainda dentro do útero é outra pessoa, outro corpo, com não menos direitos a vida. Também me espanta a superficialidade com que esses mesmos defensores do direito da mulher falam em interromper a gestação, matar uma criança antes de nascer e se calam sobre o impacto psíquico e orgânico disto para a mulher.

O que vejo diariamente em minha atividade profissional, em gigantesca maioria, são histórias de uma riqueza incomensurável. Pais que trazem seus filhos a consulta médica, filhos como quaisquer filhos. Que geram preocupação e cansaço sim, mas que geram alegria com suas pequenas conquistas, que trazem realização no cuidado e troca diária. As maiores dificuldades são sempre de ordem material: acesso a bons serviços de saúde, acesso a reabilitação, acesso a acompanhamento de toda a família em grupos de apoio psicológico fortalecendo sua saúde mental, serviços de educação inclusiva com estrutura e cuidadores para que os pais possam trabalhar enquanto seus filhos estão se desenvolvendo.

Do ponto de vista da Doutrina Espírita toda reencarnação tem um objetivo e quando surgem situações dolorosas para o reencarnante e suas famílias a origem está em acontecimentos anteriores que a visão limitada a alguns anos da vida material ainda é incapaz de reconhecer.

O espírito reencarnante fica temporariamente limitado pelas deficiências dos órgãos físicos, mas continua trazendo todo seu patrimônio cultural, intelectual e espiritual. Temporariamente impedido de se expressar livremente ele continua sendo um filho de Deus, irmão em humanidade, igual a todos nós e que após o cumprimento desta etapa estará pronto para novas experiências, mais fortalecido espiritualmente e mais feliz.

Em o Livro dos Espíritos de Allan Kardec (pergunta 359) os espíritos esclarecem que salvo em caso necessários para salvar a vida da mãe o aborto provocado será sempre um crime contra a vida.

Os relatos que nos chegam através das mensagens mediúnicas (está aí a vasta obra de Chico Xavier e de Divaldo Franco) mostra o quanto um aborto provocado, voltamos a destacar salvo em condições que se necessita salvar a vida da mãe, pode trazer sofrimento para o reencarnante que vê frustrada a oportunidade de reabilitar-se e seguir sua jornada evolutiva. Com relação aos que promovem o aborto provocado surgem graves responsabilidades perante a Vida tendo que trabalhar, às vezes por mais de uma reencarnação, para recuperar os compromissos infelizes que assumiram.

Reflitamos ainda sobre este grande número de reencarnações. Que espíritos são esses que estão reencarnando com a prova de um problema de saúde grave em grande número, na conjuntura sócio-política que nos encontramos? Principalmente no Nordeste onde o acesso a profissionais de saúde infelizmente ainda é mais difícil que nas regiões Sul e Sudeste? Que planejamento foi feito pelos amigos espirituais? Qual a ação esperada de nós neste momento? Rejeição a estes irmãos que chegam ou suporte material e espiritual para que sejam bem-sucedidos em seu plano reencarnatório?

A Vida é um bem único e precioso demais para que deliberemos sobre ela sem assumirmos grandes e graves responsabilidades.

É dever de todo espírita se mobilizar pela campanha em favor da vida e pelos direitos da criança, mesmo antes de nascer. Que nos empenhemos como cidadãos na construção de uma sociedade onde os direitos básicos de saúde e educação sejam para todos. Que cada um de nós se solidarize e acolha estas famílias que momentaneamente estão em dificuldades. Que possamos juntos comungar da felicidade de participarmos da construção da Humanidade mais justa, menos violenta e mais solidária.

Questão 357- Que consequências tem para o Espírito o aborto?

Resposta: É uma existência nulificada e que terá de recomeçar

Questão 358- Constitui crime o aborto em qualquer período da gestação?

Resposta: (...) quem quer que seja cometerá crime sempre que tirar a vida de uma criança

antes do seu nascimento(...)

Questão 359- Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe dela, haverá crime em sacrificar-se a primeira para salvar a segunda?

Resposta: Preferível é que se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe.

Allan Kardec- O Livro dos Espíritos




Estação Luz Filmes

      O aumento dos casos de microcefalia em todo o país tem suscitado, a discussão sobre malformações congênitas e aborto. Até o fim deste ano, o Superior Tribunal Federal , deve julgar, mas com possibilidade de adiamento,o aborto legal para casos de microcefalia. Assista a este video da Estação Luz Filmes que apresenta com muita sensibilidade o caso de Samuel e seu surpreendente desenvolvimento, e tire suas próprias conclusões, se não vale a pena darmos uma chance a vida …

 



Campanha em 2016

Informações médicas sobre a microcefalia :. As malformações congênitas são a segunda causa de mortalidade infantil e atinge cerca de 7,5% das crianças menores de 5 anos, elas podem ser de origem genética, mas podem ser consequências de uma infecção intraútero ou do uso de medicações, outras ainda permanecem sem etiologia definida.

A microcefalia é a diminuição do tamanho do cérebro, associado em 90% das vezes a um atraso cognitivo, mas de grau extremamente variável e de difícil mensuração nos primeiros dias de vida, quanto mais intra-utero. Não só o Zika pode levar a microcefalia, mas outros agentes como a Toxoplasmose, o Citomegalovírus a Rubéola entre outros. Além disso, uma criança pode ter sido gerada sem nenhuma anomalia genética, sem infecções, mas durante o parto sofrer o que chamamos de anóxia perinatal, ou seja, “falta de oxigênio” e evoluir com microcefalia. Portanto esta é uma condição que poderá ocorrer no pós-parto também. O ponto principal e que não podemos deixar de mencionar é a neuroplasticidade cerebral, que na criança é surpreendente. Já tivemos a oportunidade de acompanhar muitas crianças com lesões cerebrais por infecção, outras por AVC- acidente vascular cerebral - que tiveram mais da metade do cérebro comprometido e que evoluíram com discretas deficiências, contrariando o prognóstico inicial.

( Fonte : Dra Ana Paula Vecchi

Pediatra e Reumatologista Pediatra pela FMUSP-SP. Professora Adjunta da PUC-Goiás. Secretária da AME –Goiás (Associação Médico-Espírita)






O aumento dos casos de microcefalia em todo o país tem suscitado, a discussão sobre malformações congênitas e aborto. Até o fim deste ano, o Superior Tribunal Federal , deve julgar, mas com possibilidade de adiamento,o aborto legal para casos de microcefalia. Assista a este video da Estação Luz Filmes que apresenta com muita sensibilidade o caso de Samuel e seu surpreendente desenvolvimento, e tire suas próprias conclusões, se não vale a pena darmos uma chance a vida …

COLOCAR JANELA COM O VIDEO.

Informações médicas sobre a microcefalia :. As malformações congênitas são a segunda causa de mortalidade infantil e atinge cerca de 7,5% das crianças menores de 5 anos, elas podem ser de origem genética, mas podem ser consequências de uma infecção intraútero ou do uso de medicações, outras ainda permanecem sem etiologia definida.

A microcefalia é a diminuição do tamanho do cérebro, associado em 90% das vezes a um atraso cognitivo, mas de grau extremamente variável e de difícil mensuração nos primeiros dias de vida, quanto mais intra-utero. Não só o Zika pode levar a microcefalia, mas outros agentes como a Toxoplasmose, o Citomegalovírus a Rubéola entre outros. Além disso, uma criança pode ter sido gerada sem nenhuma anomalia genética, sem infecções, mas durante o parto sofrer o que chamamos de anóxia perinatal, ou seja, “falta de oxigênio” e evoluir com microcefalia. Portanto esta é uma condição que poderá ocorrer no pós-parto também. O ponto principal e que não podemos deixar de mencionar é a neuroplasticidade cerebral, que na criança é surpreendente. Já tivemos a oportunidade de acompanhar muitas crianças com lesões cerebrais por infecção, outras por AVC- acidente vascular cerebral - que tiveram mais da metade do cérebro comprometido e que evoluíram com discretas deficiências, contrariando o prognóstico inicial.

( Fonte : Dra Ana Paula Vecchi

Pediatra e Reumatologista Pediatra pela FMUSP-SP

Professora Adjunta da PUC-Goiás

Secretária da AME –Goiás (Associação Médico-Espírita)