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Setor de Assistência Espírita ao Preso
O SAEP (Serviço de Assistência Espírita ao Preso) é um setor da Área de Relações Externas do CEERJ, formada por um colegiado de representantes de instituições que atuam na área de assistência espírita àqueles que estão em conflito com a lei, tais como, presos adultos, adolescentes em conflito com a lei cumprindo medida sócio-educativa, aqueles que cumprem penas alternativas, os que se encontram cumprindo medida de segurança em manicômios judiciários, bem como os egressos do sistema penal.
Sua principal finalidade é aproximar e apoiar os grupos que prestam assistência espírita aos que se encontram em conflito com a lei, bem como os seus familiares, buscando divulgar e disseminar essa tarefa para as Casas Espíritas, a comunidade espírita e a sociedade em geral.
Tem por objetivos:
- Promover a realização de eventos estaduais tais como seminários, encontros regionais com o fim de instrumentalizar estes objetivos;
- Participar de eventos promovidos pelo movimento estadual espírita;
- Capacitar o segmento da instituição que vier a ser criado para a execução do trabalho, bem como voluntários que queiram se credenciar ao trabalho.
O objetivo básico do SAEP é, portanto, propiciar que se leve a Doutrina Espírita aonde quer que haja um preso neste Estado, atendendo ao convite feito por Jesus: “estive preso e fostes me visitar”.
O SAEP surgiu em 2005, quando companheiros da Instituição Cooperadoras do Bem Amelie Boudet e Grupo Espírita Leôncio de Albuquerque que já militavam há muito nesta seara sentiram a necessidade de uma representação institucional mais forte junto à SEAP ( Secretaria de Administração Penitenciária ) que congregasse todas essas casas espíritas.
Consultada, a Federativa recebeu com muita atenção a proposta de oferecer tal respaldo, até porque na antiga USEERJ já tinha existido um trabalho junto ao preso.
Dessa vez, porém, tratava-se da busca de unificação dos esforços de assistência ao preso em todo o Estado do Rio.
O atual CEERJ estabeleceu então que esse apoio seria mediado pela Área de Relações Externas (ARE ).
Inaugurando o seu conjunto de ações, a AEP fez realizar o 1º Censo com a finalidade de identificar possíveis focos de trabalho junto ao preso em todo o Estado do Rio, bem como apenas a informação da existência do trabalho e ou interesse em realizá-lo.
No final de 2005, sob os auspícios do SAEP, realiza-se um seminário cuja divulgação utilizou-se da estrutura dos CEU ( Conselhos Espíritas de Unificação ). Estes teriam a missão de fazer chegar a todos os centros espíritas do Estado o material de divulgação. Cabe lembrar que essa estratégia também foi utilizada por ocasião do Censo.
Neste seminário, o corpo do SAEP já estava maior, com a participação ativa do IHN ( Instituto Homem Novo ) – instituição cuja finalidade básica é atuar junto ao egresso do sistema penal e junto àqueles que cumprem penas alternativas – na organização e execução.
Foi nessa mesma ocasião que o GEID ( Grupo Espírita Irmão Demétrio ) ,que assiste a adolescentes em conflito com a lei, integrou-se a nossas fileiras.
De lá para cá, continuaríamos organizando o SAEP, realizando seminários, participando dos EREU e de outros eventos, e estabelecendo contatos visando sua expansão incessante – tal como a incorporação aos nossos quadros em 2009 do Grupo Espírita Caminho de Luz, especializado no trabalho com presos em delegacias e polinter -, de modo a difundir este ideal tão grato a todos nós.
Atualmente, o SAEP congrega as seguintes Instituições Espíritas:
- Instituição Espírita Cooperadoras do Bem Amelie Boudet
Rua Petrocochino,49 – Vila Isabel CEP:20551-255 – Rio de Janeiro Tel.: (21) 2238-5923 e 2577-4164 e-mail: cbamelieboudet@ig.com.br
- Grupo Espírita Leôncio de Albuquerque
Rua Oscar Fonseca, nº 58 – Fonseca CEP: 24120-390 – Niterói Tel.: 2625-8743
- GEID – Grupo Espírita Irmão Demétrius
Praia Congonhas do Campo, 151 Bancários – Ilha do Governador CEP: 21910-410 – Rio de Janeiro Site: www.geid.org.br e-mail: atendimento@geid.org.br Telefone: (21) 3396-0374
- Grupo Espírita Estudantes da Verdade (GEEV)
Rua Desembargador Lima Castro, nº 241 – Fonseca – Niterói
- Associação Espírita Estudantes da Verdade
Rua Carlos Chagas, n° 708 – São Lucas CEP: 27264-420 Volta Redonda - RJ Tel: (24) 3342-4270 e-mail: contato@aeev.org site: www.aeev.org
As instituições acima juntam-se para estabelecer as ações gerais do SAEP, mantendo sua total autonomia para realizar suas atividades de assistência ao preso, conforme descrito abaixo:
- Preso comum cumprindo pena em regime fechado ou semi-aberto (IECBAB e GELA)
- Preso custodiado aguardando pena (Volta Redonda)
- Preso apenado cumprindo pena em hospitais penais (GEEV e IECBAB)
- Preso inimputável custodiado em hospitais psiquiátricos da SEAP (IECBAB e GELA)
- Egressos do sistema penal e penas alternativas (IHN)
- Adolescentes em conflito com a lei (GEID)
- Presos em delegacias e polinter
Em forma de diagrama, o SAEP reúne, então, as seguintes atividades:

Apresentamos, abaixo, em linhas gerais, um roteiro do que as instituições ligadas ao SAEP realizam nas diversas unidades em que atuam:
Trabalhos do Grupo Espírita Leôncio de Albuquerque (Niterói)
O Grupo Espírita Leôncio de Albuquerque realiza trabalhos junto a presos comuns e de manicômio judiciário. Junto a presos comuns, o trabalho segue basicamente o seguinte esquema:
- Leitura e análise de uma mensagem espírita seguidas de uma prece com o fim de harmonizar o ambiente.
- Abordagem do tema doutrinário através de exposição dialogada ou outra forma que o responsável pelo tema considere mais adequada.
- Prece final acompanhada de passes e água fluidificada.
Observação: tais reuniões têm duração média de uma a uma hora e meia.
No manicômio judiciário, a atividade inicia-se com música apropriada, passes e água fluidificada, pois o ambiente psíquico mais complicado requer essa preparação. Segue-se, então, uma pequena preleção com um conteúdo e uma abordagem adequados ao público e, depois, um espaço para atividade arteterapêutica, que até então tem sido a confecção de desenhos com lápis de cor, lápis de cera e pintura a guache. A atividade termina com uma prece. Quando dispoem-se de um violonista, o seu instrumento é fartamente utilizado durante a reunião; quando não, usa-se equipamento CD player. Essas reuniões duram, em média, 1 hora.
Trabalhos da Instituição Espírita Cooperadoras do Bem Amélie Boudet (Rio de janeiro)
A Instituição Espírita Cooperadoras do Bem Amélie Boudet denomina seus núcleos de evangelização nos presídios e manicômios judiciários em que atuam de Escolas Espíritas. Face às características de cada unidade prisional, umas com presos em caráter permanente e outras com presos em caráter provisório, as reuniões nos presídios são de acordo com tais características. Nas unidades onde o trabalho é feito com um público permanente, a evangelização se dá com a leitura de página inicial, prece inicial, estudo de temas previamente estabelecidos através de programa e contidos na obra Kardequiana, em especial contidos no Evangelho Segundo o Espiritismo e Livro dos Espíritos, seguido da prece final. Quanto ao trabalho realizado nas unidades cuja freqüência do apenado é provisória e rotativa, as reuniões iniciam-se com leitura de página, prece inicial, estudo de temas contidos na obra Kardequiana, muitas vezes respeitando as solicitações dos apenados presentes nas reuniões, seguido de prece final.
A participação dos presos é sempre aceita e entendida como importante pelos agentes religiosos espíritas.
Nos manicômios judiciários, o trabalho é feito com o objetivo de prender a atenção dos internos que participam da reunião, através de conversas, música, desenhos, pintura, etc., tudo em atenção aos princípios básicos da doutrina espírita. É realizada prece inicial, atividades e prece final.
Trabalhos do Instituto Homem Novo
A IHN tem por finalidade desenvolver um trabalho sócio-educativo para presidiários, egressos do sistema penal e pessoas sob extremo risco pessoal e social. Visando o desenvolvimento espiritual, a construção do conhecimento, a qualificação profissional e a geração de trabalho e renda na conquista da cidadania. A IHN tem por finalidade também participar de ações destinadas à adolescentes e jovens em cumprimento de medidas sócio-educativas utilizando o esporte e a cultura como principal veículo de inclusão social. Atualmente a IHN está desenvolvendo o Projeto Gol Legal de futebol feminino, com as jovens e adolescentes que cumprem medida sócioeducativa no DEGASE, com a parceria do Instituto Oi futuro, organiza o trabalho voluntário na formação do Centro de Referência do Egresso do Sistema Penal do estado do Rio de Janeiro e atua na Escola Começar de Novo – Penas Alternativas, atendendo adultos que cumprem pena alternativa de limitação de fim de semana. A IHN conta hoje com cerca de 10 voluntários e 10 técnicos contratados, entre coordenadores, assistentes sociais, psicólogos, professores de educação física que atuam nos projetos e nas atividades da instituição. Temos a nossa disposição um espaço com uma sala de aula com capacidade para 30 pessoas, mais uma sala com 5 computadores de baixa configuração prontos para serem instalados. Estamos motando um centro de referência neste espaço e contamos com as seguintes parcerias: 1 - Instituto OI Futuro: Patrocinador do Projeto Gol Legal, que tem por objetivo a ressocialização de jovens e adolescentes em cumprimento de medida sócio educativa no DEGASE. 2 - Departamento Geral de Ações Sócio-Educativas - DEGASE, órgão subordinado à Secretaria de Estado de Educação do Estado do Rio de Janeiro: A implantação o Projeto Gol Legal nas suas unidades propõe a prática do esporte com uma proposta inovadora e como fator de ressocialização, contribuindo no processo da criação de um novo modelo de execução de medidas sócio educativas. 3 - Centro Integrado de Educação Pública – CIEP Mussum: Implantação de um núcleo do Projeto Gol Legal para o cumprimento da meta do projeto, que se propõe a integração das alunas da rede pública de ensino com as adolescentes em cumprimento de medida. 4 -Instituto Consuelo Pinheiro: Cessão do espaço e infra-estrutura para a implantação do Centro de Referência de Egressos do Sistema Penal; a implantação da Rede de Desenvolvimento Local e atividades administrativas da IHN – Instituição do Homem Novo 5 - SESC – RJ – Unidade Flamengo: Apoio institucional e técnico na implantação da Rede de Desenvolvimento Local 6 - CEERJ - \utilização de espaço para reuniões Para conhecer o trabalho realizado pelo IHN, em maiores detalhes, visite o site www.ihn.org.br
Trabalhos do Grupo Espírita Irmão Demétrius
O Grupo Espírita Irmão Demétrius realiza seus trabalhos através de aulas planejadas de Evangelização Juvenil com o conteúdo dos princípios básicos da Doutrina Espírita e Metodologia de Valores Humanos, e pondo em prática os seguintes tipos de atividades:
- atividades sócio-educativas, dinâmicas e de grupo que desenvolvam senso de colaboração e convívio nas dependências das unidades de internação do Sistema Degase;
- atividades de sensibilização e harmonização para ressignificação dos conflitos, através de reflexões promovidas por técnicas e recursos programados para os encontros semanais (músicas, teatro, oficinas, etc.);
A duração das atividades é de 90 minutos, com espaço para avaliações ao final. Ao início e ao final de cada atividade, todos são convidados a participar de uma prece.
Trabalhos do Grupo Espírita Caminho de Luz O Grupo Espírita Caminho de Luz realiza trabalhos junto a presos que aguardam julgamento na carceragem da Polinter/Neves e na carceragem feminina localizada na 72ª Delegacia de Polícia em São Gonçalo. Junto aos presos (as) o trabalho tem o seguinte formato: 1. Três músicas espiritualizadas, sendo a última do cantor Roberto Carlos. 2. Prece. 3. Abordagem de um tema doutrinário, geralmente do Evangelho Segundo o Espiritismo ou de algum livro de mensagens espírita. 4. Diálogo com os presos, tendo como fonte de consulta o livro Minutos de Sabedoria. 5. Uma música espiritualizada como término. Nota: O nosso interesse não é de transformá-los (las) em espíritas, mas sim na reconstrução de sua fé, estimular sua reforma íntima, com a manutenção da chama da auto-confiança e da confiança em Deus. A tarefa na Polinter/Neves ocorre quinzenalmente nas terças-feiras, no horário das 08 h 30 min. e na 72ª D.P., na primeira quarta-feira do mês às 11 h.
Relação das “Escolas” e Grupos Espíritas existentes nas unidades da SEAP e do DEGASE no Estado do Rio de Janeiro
Em Niterói
Patrocinadas pelo Grupo Espírita Leôncio de Albuquerque:
- Grupo Espírita na Penitenciária Vieira Ferreira Neto
- Grupo Espírita no Instituto Penal Ismael P. Sirieiro
- Grupo Espírita no Instituto Penal Edgard Costa
- Grupo Espírita no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Henrique Roxo
Patrocinada pelo Grupo Espírita Estudantes da Verdade:
- Grupo Espírita no Hospital Penal de Niterói
Em Volta Redonda
- Grupo Espírita na Casa de Custódia Franz de Castro
No Rio de Janeiro
Patrocinadas pela Instituição Cooperadoras do Bem Amelie Boudet:
- Escola A Caminho da Luz, no Instituto Penal Esmeraldino Bandeira
- Escola A Caminho do Bem, no Instituto Penal Talavera Bruce (feminino)
- Escola A Caminho da Libertação, no Manicômio Judiciário Heitor Carrilho
- Escola A Caminho da Verdade, no Instituto Presídio Hélio Gomes
- Escola A Caminho de Jesus, no Hospital Penitenciário da Clínica Tisiológica
- Escola A Caminho do Esclarecimento, no Presídio Nélson Hungria (feminino)
- Escola A Caminho da Redenção, no Presídio Milton Dias Moreira
- Escola A Caminho da Perfeição, no Presídio Pedrolino de Oliveira
Patrocinadas pelo Grupo Espírita Irmão Demétrius nas unidades do DEGASE:
- Grupo Espírita na unidade Escola João Luís Alves
- Grupo Espírita na unidade Escola Santos Dumont
Patrocinadas pelo Grupo Espírita Caminho de Luz:
- Carceragem da Polinter masculina, em Neves, município de São Gonçalo
- Carceragem feminina na 72ª delegacia de polícia, município de São Gonçalo
Chamamento às Instituições Espíritas
Convidamos a todas as instituições espíritas, adesas ou não ao CEERJ, a abraçarem este ideal. É fundamental que a comunidade espírita participe deste esforço. No reduto das unidades penais, nas unidades sócio-educativas e fora dos muros há um ou outro irmão que tendo sido alcançado pela lei, anseia por ouvir uma voz que lhe diga que ele tem valor, que é filho de Deus, que lhe está reservado um futuro de luz a ser construído por ele, gradualmente . Isso, além de ser confortante, pode ser a pedra de toque que inicie uma mudança ainda nesta encarnação. Quem ganha com isso!? Todos nós: indivíduo e sociedade! Vamos em frente, companheiros!!! Não dá mais para cruzar os braços! Temos tudo a ver com isso! Esta Seara é grande e são pouquíssimos os operários! As instituições e, de maneira independente os seus participantes, que não quiserem iniciar por si sós neste campo, podem contar com a assistência do SAEP ou diretamente com uma das instituições que já se encontra vinculada ao SAEP ( ver o link “estrutura atual do SAEP” ). Caso contrário, é só procurar a Secretaria de Administração Penintenciária ( SEAP ) , no Edifício da Central do Brasil, 5º andar – sala 535.
Mãos à charrua, companheiros!!! Jesus espera pelo nosso concurso para sanear a Terra!!!
Unidades Prisionais do Estado do Rio de Janeiro Unidades Prisionais do Interior: - Penitenciária Milton Dias Moreira (Japeri)
- Penitenciária Carlos Tinoco da Fonseca (Campos)
- Presídio Diomedes Vinhosa Muniz (Itaperuna)
- Presídio João Carlos da Silva (Japeri)
- Casa de Custódia Romeiro Neto (Magé)
- Casa de Custódia Franz de Castro Holzwarth (Volta Redonda)
- Casa de Custódia Cotrim Neto (Japeri)
- Colônia Agrícola Marco Aurélio Vergas Tavares de Mattos (Magé)
Unidades Prisionais Isoladas: - Presídio Ary Franco (Água Santa)
- Presídio Evaristo de Moraes (São Cristóvão)
- Presídio Hélio Gomes (Frei Caneca)
- Instituto Penal Cândido Mendes (Centro)
- Casa do Albergado Crispim Ventino (Benfica)
- Patronato Magarino Torres (Benfica)
- Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Heitor Carrilho (Frei Caneca)
- Complexo de Gericinó:
- Penitenciária Talavera Bruce
- Penitenciária Joaquim Ferreira de Souza
- Penitenciária Alfredo Tranjan (Bangu 2)
- Penitenciária Industrial Esmeraldino Bandeira
- Penitenciária Jonas Lopes de Carvalho (Bangu 4)
- Penitenciária Lemos Brito
- Penitenciária Moniz Sodré
- Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino (Bangu 1)
- Penitenciária Dr. Serrano Neves A (Bangu 3A)
- Penitenciária Dr. Serrano Neves B (Bangu 3B)
- Penitenciária Vicente Piragibe
- Penitenciária Pedrolino Werling de Oliveira
- Presídio Nelson Hungria
- Instituto Penal Plácido Sá Carvalho
- Instituto Penal Benjamin de Moraes Filho
- Presídio Elizabeth Sá Rego (Bangu 5)
- Casa de Custódia Paulo Roberto Rocha
- Casa de Custódia Jorge Santana
- Casa de Custódia Pedro Melo da Silva
- Hospital Dr. Hamilton Agostinho Vieira de Castro
- Hospital Penal Fábio Soares Maciel
- Hospital Psiquiátrico Penal Roberto Medeiro
- Sanatório Penal
- Unidade Materno Infantil Madre Tereza de Calcutá
Unidades Prisionais de Niterói: - Penitenciária Vieira Ferreira Neto
- Instituto Penal Edgard Costa
- Instituto Penal Ismael Pereira Sirieiro
- Hospital Penal de Niterói
- Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Henrique Roxo
Em nossas pesquisas de textos relacionados com este trabalho encontramos as mensagens psicografadas , que transcrevemos abaixo: PresidiáriosEspírita, irmão! Há quanto tempo não visitas um presídio? É possível que até hoje não tenhas pensado nos reclusos... No corpo, apenas sentimos a presença de um órgão, quando ele adoece. São silenciosas as vísceras que funcionam regularmente. Na vida moral, vezes e vezes, os problemas são igualmente assim: somente chegamos a senti-lo quando nos vergastam o próprio “eu”... Rememoremos, portanto, a prova inexprimível daqueles irmãos que nos deixaram, compulsoriamente, o convívio. As suas culpas e as suas dores são também nossas. Respirando anos-a-fio, circunscritos às grades da prisão, em atmosfera de onde, quase sempre, foram expulsos o perdão, a gentileza e a alegria, suportam eles a vida purgatorial da espiritualidade inferior, ainda na vida humana, ruminando o fel do abandono, a peçonha do desespero, o tóxico do vício, o veneno do rancor, o fogo da revolta e a bile da frustração Condenados, outros desvairam. Enfermos, não raro, de corpo e alma, outros muitos padecem martírios simultâneos. Esfumaram-se os sonhos... Perverteram-se os ideais... A fé cadaverizou-se... Em grande maioria analfabetos, são incompreensíveis a viverem incompreendidos. Filhos da penúria, amargam a via-crucis de todas as necessidades. Escravos da embriaguez, são como que dominados por fantasmas interiores que os embrutecem. Muitos deles, ainda longe do remorso e inteiramente cativos da ignorância, fizeram do crime a profissão; do sarcasmo, o idioma; da astúcia, a lei. Combateram a sociedade, fugiram da família e trocaram de nome, dando origem a órfãos de pais distantes e a viúvas de esposos vivos. Contidos à força, estremunhados na noite prolongada da impenitência, vivem anos que se assemelham a séculos, imprecando contra o destino forjado por eles próprios, na amortização dos débitos perante as leis divinas e humanas, duplamente encarcerados na carne e no cárcere. Quantas jóias espirituais de rara beleza atolados em escrínios de lama?! Até que todos os ergástulos sejam transfigurados em escolas e hospitais, conduzamos a eles – os grandes e infelizes prisioneiros de si mesmos – a consolação de uma visita, o estímulo de um sorriso, o júbilo de uma dádiva, a benção de uma prece. Abrindo o coração ao sol do amor fraterno, auxiliemos os presidiários, diligenciando alcançar também a nossa própria liberdade espiritual, seguindo a lição do Senhor que nos ensinou, exemplificando: - “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei Maria Celeste
(Página recebida pelo médium Waldo Vieira, na reunião pública da Comunhão Espírita Cristã, na noite de 11/12/1961, em Uberaba, Minas). (Mensagem extraída da revista “Reformador”, de dezembro de 1962.) HOSPITALIZAÇÃO CARCERÁRIAQuando tiveres de anotar o comportamento dos irmãos reeducandos em retiros carcerários, deixa que a compaixão se te instale no espírito antes que a palavra te configure as considerações. Presídios são Escolas-Hospitais, dignas de apreço. Irmãos internados nesses educandários se erigem à posição de enfermos em tratamento espiritual. Magistrados desempenham a função de especialistas, cominando preceitos penalógicos, à feição de recursos curativos para a supressão de desequilíbrios determinados. E de nossa parte, devemos ser os irmãos compreensivos de quantos se vejam na condição de doentes da alma, integrando com eles a grande família humana. Somos todos espíritos imortais, companheiros da mesma caminhada evolutiva. De que maneira condenar os semelhantes, se não dispomos de meios para analisar-lhes o sofrimento, quando o sofrimento lhes extravasa do ser, em forma de ignorância e doença, obsessão e criminalidade? Que espécie de dor terá erguido o braço daqueles que promoveram a destruição do próprio corpo? Quem terá impulsionado a mão do homicida contra aqueles que lhes experimentaram os golpes? Quantos dias de resistência gastaram os corações queridos, mas ainda inseguros, até que se emaranhassem nas trevas da tentação? Que forças invisíveis na Terra induziram ao enfraquecimento e ao desânimo almas belas e cultas quando desertaram dos compromissos que elas próprias criaram na Causa do Bem? E qual teria sido o nosso comportamento se houvéssemos faceado as inquietações e os problemas em que os nossos semelhantes considerados em erro, se matricularam em rudes provas? Meditemos nessas indagações já que não nos é dado conhecer os dramas da sombra desde o princípio, a fim de que não venhamos a intensificar os obstáculos de quantos se reajustam, muitas vezes, à custa de tribulações e de lágrimas. Entendemos a legitimidade dos tribunais humanos e todos somos chamados a respeitar-lhes as determinações. Entretanto, nas trilhas do relacionamento mútuo, situemo-nos todos, todos nós, os espíritos ainda vinculados à evolução terrestre, no esquema das consciências endividadas, ante os foros da Divina Justiça. E, longe de agravar as aflições dos nossos irmãos, sob assistência carcerária, auxiliemo-los na reabilitação das próprias forças, rogando à Misericórdia Divina para que se compadeça de todos nós. EMMANUEL Médium: Francisco Cândido Xavier
LITERATURA RELACIONADA AO TRABALHO COM INTERNOS PENAIS LITERATURA ESPÍRITA- APÓS A TEMPESTADE – Joana de Angelis
Cap. “Delinqüência, Perversidade e Violência”
- ALMAS EM DESFILE – Hilário Silva
Cap. Quinze Minutos Cap.” A Jóia”
- ALMA E CORAÇÃO – Emanuel
Cap. Amarás Servindo ( Penúltimo parágrafo)
- CONDUTA ESPÍRITA – André Luiz
Cap. “ Na Propaganda”
- CONSTITUIÇÃO DIVINA – Richard Simonet
Cap. “Miscigenação Cármica”
- DETALHES DE VIDAS – Idalinda de Aguiar Matos
- EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
Cap.XI –“Caridade para com os criminosos”
- ESPIRITISMO E CRIMINOLOGIA–Deolindo Amorim
- ESPERA SERVINDO – EMANUEL
Cap. “Sentenciados”
- LEALDADE – Francisco Cândido Xavier
- LUZ VIVA – Joana de Angelis e Marco Prisco
Cap. 10 –“ A Pena capital” Cap. 20 – “ Frutos da Delinqüência”
- LOUCURA E OBSESSÃO – Manoel P. de Miranda
Cap.18 – Antepenúltimo Parágrafo
- MECANISMOS DA MEDIUNIDADE – André Luiz
Cap. “Animismo e Criminalidade”
- MEMÓRIAS DO PADRE GERMANO – Amália Domingo Soler
- MEMÓRIAS DE UM SUICIDA – Yvone A. Pereira
2ª parte – Cap.IV
- O Caso de Albino – Págs. 302 a 305 da 13ª edição
- APENAS UMA SOMBRA DE MULHER – Fernando do O
- O ESPÍRITA – Fev/mar/87
Artigo “Pena de Morte”
- O CONSOLADOR –Emanuel
Perg.64 – Processos Criminais
- PONDERAÇÕES DOUTRINÁRIAS – Deolindo Amorim
Cap.” Ação Espírita entre Presidiários”
- PEDAÇOS DO COTIDIANO – Espíritos Diversos
“A Polícia”
- REVISTA ESPÍRITA – Fev/1864 e Nov/1863
- REVELAÇÕES DE ALÉM TÚMULO – Antão de Vasconcelos
- REFORMADOR – Dez/1962
Mensagem “Presidiários” de Maria Celeste
- SOL DE ESPERANÇA – Divaldo P. Franco
Mensagem “Não matarás” de Amália Rodrigues” LITERATURA NÃO ESPÍRITA- CORES ALGEMADAS – Denise Rosário - Editora Dois Pontos
- PERIÓDICO DA APAC – Trav. Francisco Almada,81-centro
CEP12200-São José dos Campos-São paulo Caixa Postal 531
- PERIÓDICO DA “PRISON FELLQWSHIP INTERNATIONAL”
P.O, Box 17434 washington D. C. 20041
- QUEM SÃO OS CRIMINOSOS? – AUGUSTO THOMPSON
Edições Achiamé Ltda.
Alguns artigos na imprensaEncontramos na imprensa geral alguns artigos de interesse para o nosso trabalho e que colocamos a sua disposição: A Esperança de um mundo novo
O artigo de um juiz, recentemente publicado em jornal de grande circulação, é de causar emoção nas almas mais insensíveis. Seu artigo diz o seguinte: "Indaga-me, jovem amigo, se as sentenças podem ter alma e paixão. O esquema legal da sentença não proíbe que tenha alma, que nela pulsem vida e emoção, conforme o caso. Na minha própria vida de juiz senti muitas vezes que era preciso dar sangue e alma às sentenças. Como devolver, por exemplo, a liberdade a uma mulher grávida, presa porque trazia consigo algumas gramas de maconha, sem penetrar na sua sensibilidade, na sua condição de pessoa humana? Foi o que tentei fazer ao libertar Edna, uma pobre mulher que estava presa há oito meses, prestes a dar à luz, com o despacho que a seguir transcrevo: A acusada é multiplicadamente marginalizada: Por ser mulher, numa sociedade machista... Por ser pobre, cujo latifúndio são os sete palmos de terra dos versos imortais do poeta. Por ser prostituta, desconsiderada pelos homens, mas amada por um Nazareno que certa vez passou por este mundo. Por não ter saúde. Por estar grávida, santificada pelo feto que tem dentro de si. Mulher diante da qual este juiz deveria se ajoelhar numa homenagem à maternidade, porém que, na nossa estrutura social, em vez de estar recebendo cuidados pré-natais, espera pelo filho na cadeia. É uma dupla liberdade a que concedo neste despacho: liberdade para Edna e liberdade para o filho de Edna que, se do ventre da mãe puder ouvir o som da palavra humana, sinta o calor e o amor da palavra que lhe dirijo, para que venha a este mundo, com forças para lutar, sofrer e sobreviver. Quando tanta gente foge da maternidade... Quando pílulas anticoncepcionais, pagas por instituições estrangeiras, são distribuídas de graça e sem qualquer critério ao povo brasileiro... Quando milhares de brasileiras, mesmo jovens e sem discernimento, são esterilizadas... Quando se deve afirmar ao mundo que os seres têm direito à vida, que é preciso distribuir melhor os bens da terra e não reduzir os comensais... Quando, por motivo de conforto ou até mesmo por motivos fúteis, mulheres se privam de gerar, Edna engrandece hoje este Fórum, com o feto que traz dentro de si. Este juiz renegaria todo o seu credo, rasgaria todos os seus princípios, trairia a memória de sua mãe, se permitisse sair Edna deste Fórum sob prisão. Saia livre, saia abençoada por Deus... Saia com seu filho, traga seu filho à luz... Porque cada choro de uma criança que nasce é a esperança de um mundo novo, mais fraterno, mais puro, e algum dia cristão... Expeça-se incontinenti o Alvará de Soltura." O artigo vem assinado pelo meritíssimo juiz João Batista Herkenhoff, livre-docente da Universidade Federal do Espírito Santo. Ao ouvir o despacho desse magistrado, a esperança de um mundo novo e justo se desdobra à nossa frente. Esperança de um dia as leis humanas se tornarem educativas e não punitivas. Esperança de ver as sanções proporcionais às faltas cometidas. Esperança de, num julgamento, ser levado em conta o passado de cada ser, sua infância, as possibilidades que teve de educação, de saúde, de carinho, de afeto. Enfim, esperança de que a humanidade atente para as leis de Deus e nelas baseie as suas. (Artigo publicado no jornal "Gazeta do Povo", de Curitiba - PR, no dia 23/01/98) PENA DE MORTE
Weimar Muniz de Oliviera Presidente da ABRAME - Associação Brasileira de Magistrados Espíritas.
Entre os grandes juristas e juristas-filósofos, com raras exceções,a pena de morte não encontra guarida. As opiniões arredias à pena capital assentam-se em argumentos irrefutáveis, com exemplos múltiplos na História. Os anais da Justiça Penal dos países ditos civilizados desmentem a eficácia da pena de morte. Dentre os juristas de renome internacional que detratam as penas drásticas (trabalhos forçados, de banimento e perpétua, particularmente a pena de morte), mencionamos apenas dois: Cesar Benesana, Marquez de Beccaria (1738-1794) e, entre nós, o ainda inigualável Nelson Hungria. Os argumentos pró-pena capital não resistem às altas indagações: jurídicas e filosóficas. 2 - Não se pode perder de vista que o miserável que às vezes furta um pedaço de pão - para aplacar sua própria fome, da companheira querida ou dos filhos de seu amor é produto da sociedade.Esse miserável torna-se um marginal, através de atos habituais, assim transformado pelo sofrimento e pela revolta em razão da insensibilidade e da indiferença de seus pares do conviver social. O pão que sobra da mesa das classes favorecidas é feito da mesma massa do pão que falta no casebre ou rancho (sem mesa) dos mais pobres. Assim é que as migalhas do estritamente necessário à vida digna e as oportunidades inexistentes para os mais humildes acabam por gerar, pouco a pouco, com o tempo, os marginais que, depois, se voltam, violentos, contra os integrantes da sociedade privilegiada, cumprido-se, desta forma, a lei universal de causa e efeito. Seria, agora, de se perguntar: Com base em que autoridade essa mesma sociedade pode instituir a pena de morte, por seus representantes, do Poder Legislativo, para reprimir os crimes-efeitos cuja causa ela própria forjou? 3 - A finalidade da pena é recuperar o delinqüente para a sociedade, donde saíra, em atenção às mais peregrinas conquistas do homem e do cidadão ao longo dos séculos e ainda em homenagem à lei de solidariedade, de perdão e de amor que o Mestre Galileu nos ensinou e tão bem exemplificou, a ponto de, reformulando a lei mosaica, asseverar: "Ouviste que foi dito: olho por olho, dente por dente. - Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal que vos queiram fazer; que se alguém quiser pleitear contra vós, para vos tomar a túnica, também lhe entregueis o manto; se alguém vos obrigar a caminhar mil passos com ele, caminheis mais dois mil; ..."(Mateus, cap. V, vv. 38-42). No que diz respeito à finalidade da pena, torna-se de boa oportunidade a palavra do preclaro Nelson Hungria(Comentários ao Código Penal Vol I, Tomo II, p. 472, Forense - 4ª edição): "Na sua normalidade (permita-se-nos aqui o termo) de fenômeno social, a delinqüência tem de ser tratada por meios clínicos, e não cirúrgicos, e por mais encruados que seja um criminoso é ele um homem a refazer, e não a destruir. A justiça penal não pode reconhecer a própria falência, aniquilando os delinqüentes, contra o dever de solidariedade humana, ao invés de procurar reivindicá-los moralmente, na medida do possível para o seu reajuste para o convívio social. O criminoso é quase sempre o corolário de uma educação profundamente deficitária. Não pode consolidar-se nele o mínimo ético reclamado pela ordem jurídica. Fez-se, gradativamente, as mais das vezes, em razão da incúria ou imprevidência do próprio Estado, imoral ou amoral, ou, o que vale o mesmo, antisocial ou associal. Desfavoráveis fatores exógenos, ajudados por negativos fatores endógenos, remataram por criar-lhe uma personalidade deformada, cada vez mais impermeável ao código ético-social..." (Grifos nossos) A pena de morte é a maior afronta aos direitos do homem e do cidadão, conquistado ao longo dos séculos, a duras penas. Nossa Constituição nem permite que o assunto seja objeto de deliberação. Reza o art. 60, § 4º: "Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I - a forma federativa do Estado; II - voto direto, secreto, universal e periódico; III - a separação de poderes; IV - os direitos e garantias individuais" 4 - No capítulo dos Direitos Individuais (art. 5º), prescreve o item XLVII: "Não haverá pena: (a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; (b) de caráter perpétuo; (c) de trabalhos forçados; (d) de banimento; (c) cruéis" 5 - A posição dos que comungamos com a insofismável psicossomática do ser humano corresponde à conceituação apregoada pelo Espiritismo, doutrina universalista, de natureza tríplice, no campo do conhecimento, informação fidedigna que promana do Plano Diretor da Vida. Em o "Livro dos Espíritos", Allan Kardec, obra básica da notável doutrina, a questão 760 nos estimula para a luta da derrogação da pena de morte na Terra, ao mesmo tempo que nos dá a esperança do seu aniquilamento, mais cedo ou mais tarde. Eis a pergunta e respectiva resposta: Desaparecerá algum dia, da legislação humana a pena de morte? "Incontestavelmente desaparecerá e a sua supressão assinalará um progresso da Humanidade. Quando os homens estiverem mais esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida da Terra. Não mais precisarão os homens de serem julgados pelos homens. Refiro-me a uma época ainda muito distante de vós." (extraído do jornal da ABRAME)
Nesta seção, apresentamos experiências vivenciadas ou testemunhadas pelos companheiros do Trabalho, em sua longa trajetória , seja dentro das unidades prisionais ou fora delas.
Doação de livros em presídios da Venezuela
Da Revista Universo Espírita nº 26 ano 2005, recortamos um pequeno trecho da entrevista concedida por Alípio González Hernández, presidente do Grupo Mensagem Fraternal, em Caracas, capital da Venezuela. Das diversas atividades no campo da divulgação da literatura espírita a que este Grupo se dedica, há cerca de 30 anos, uma delas chamou-nos a atenção, em particular : é a distribuição gratuita de livros espíritas em presídios da Venezuela. Segue, então, o trecho da entrevista:
Como é realizar o trabalho de doação de livros em presídios?
Quando vamos a um presídio a primeira coisa que fazemos é nos identificar. Você vai dando livro àqueles que queiram receber, então acontecem muitas histórias. No presídio estadual de Trujillo, por exemplo, uma garota começou a distribuir livros entre os presidiários, e havia um detento que era líder dos demais. A garota ofereceu-lhe um exemplar de O Evangelho Segundo o Espiritismo e ele disse que não queria. Quando estávamos indo embora, ele mudou de idéia. Um tempo depois, os presos começaram a ler e a formar grupos de estudo dentro da prisão. O Ministério da Justiça, ao ver que havia baixado o índice de criminalidade no presídio, mandou um inspetor saber o que estava acontecendo. Em um dado momento, mudou tanto a conduta daqueles presidiários que muitos deles receberam o benefício de redução da pena. Aquele detento, que era o presidiário mais bravo de todos, transformou-se . Ele estava namorando a filha de outro preso que estudava o Espiritismo com ele. Esse presidiário pediu a menina em casamento, mas ela só aceitou com uma condição: eles dedicariam sua vida a difundir os princípios da Doutrina Espírita.
E qual o desfecho dessa história?
Fundaram um centro espírita. Um dia eles foram até Caracass e esse homem me disse : “Irmão Alípio, quando esteve em minha cidade, apresentei-me , mas você não me reconheceu”. Eu disse: “ Como não ? Você não fundou aquele centro espírita?”. Ele respondeu: “Sim, mas você não me reconheceu. Sou aquele preso da penitenciária de Trujillo”. “Você é Juan?”, perguntei. Ele respondeu: “ Sim. Sou Juan, aquele preso perigoso que agora está trabalhando para Jesus”. Se todos os livros que doamos tivessem se perdido, só este livro valeu a pena todo o esforço que fizemos. E como essa, há muitas outras historias de livros que salvaram vidas.” Em nosso trabalho, também costumamos distribuir livros, mensagens, periódicos... Não como esses nossos irmãos venezuelanos se especializaram em fazer, e por isso, o fazem em grande quantidade. O Sr. Alípio fundou até uma editora. Mas ao entrarmos numa unidade penal, com freqüência, distribuímos mensagens e periódicos. Àqueles que mostram mais interesse, ofertamos livros e atendemos suas solicitações de alguma obra específica. No trabalho desenvolvido na polinter de Neves, em São Gonçalo, Rio de Janeiro, esta atividade ganha uma ênfase especial. Ali, os irmãos que aguardam julgamento ficam trancafiados e o interesse por livros, periódicos e mensagens é bem maior. O poder transformador do livro espírita é inapreciável! Louvado seja Deus!!
O Cadeirante
O trabalho no I.P. Edgard Costa quando era uma unidade de regime fechado contava com um público mais expressivo e constante, já que no semi-aberto, por sua própria natureza, o fluxo de entrada e saída de presos da unidade é mais intensa. Esta foi apenas uma das razões da modificação desse quadro. A limitação de agentes religiosos a tres pessoas por unidade penal ( posteriormente ampliada para três ); a mudança de local das reuniões, que antes aconteciam numa sala de aula bem adequada para o nosso trabalho pois favorecia a concentração, já que o ruído externo era consideravelmente menor. Tudo isso contribuiu para a redução de participantes. Esse preâmbulo foi para dizer que houve uma época em que contávamos com apenas um participante. Este participante, no entanto, dava-nos uma satisfação muito grande na realização do trabalho. Daí, sempre dizermos aos companheiros que o número de assistentes não importa efetivamente. Ele se deslocava numa cadeira de rodas. Como é de nossa orientação, nunca perguntamos o motivo que levou uma pessoa para trás das grades. Quando ela se sente a vontade, com confiança no grupo, é comum ela revelar espontaneamente. Se ele contou sua história, eu não me lembro. Só posso afiançar que foram reuniões das mais gratas ao meu coração. Nessa época, havíamos ficado sem agentes religiosos para o Edgard Costa, de modo que eu estava indo sozinho. Nossos diálogos eram riquíssimos. Fazendo uma analogia com o filme Sociedade dos Poetas Mortos, em que aquele grupo de estudantes “sorvia literatura”, nós sorvíamos Doutrina Espírita. Era de se ver o interesse com que ele produzia reflexões sobre a Vida à luz do Espiritismo. E saíamos dali, meio que extáticos. Foram várias reuniões assim. Acho que ele era uma terra em que as sementes de que Jesus falava, deram o máximo. Ele não conhecia D.Espírita mas, penetrou seus arcanos como poucos. Algum tempo depois, vieram mais agentes religiosos e minhas visitas foram se tornando mais espaçadas, de modo a poder atender outras unidades penais. Até que perdemos contato. Não sei que fim levou ele. Já aconteceu no trabalho, ocasião em que não havia procura por parte dos presos. Nem por isso deveremos interromper sequer temporariamente a tarefa, pois, na prática, isso significaria por um ponto final no trabalho. Essa tarefa precisa ser vista também com um plantão de atendimento fraterno. Imagine-se se ocorresse nesses plantões de um centro espírita, duas ou três semanas seguidas sem procura e por causa disso se interrompesse com os plantões. Aí é que nunca mais haveria auxilio. É importante estar atento a isso. O atendimento a esse cadeirante foi seguido de um período em que não houve procura por outros presos. A orientação dada aos agentes religiosos era para prosseguirem. Nem que fosse apenas com a leitura de uma mensagem e prece. Isso manteria a “luz acesa”. Posteriormente, apareceram outros interessados. E o trabalho no I.P.Edgard Costa, permanece, com todos os percalços, até os dias atuais.
O embevecido
Vou chamá-lo de O embevecido porque era assim que ele sempre ficava nas nossas reuniões. Era um embevecido com a Doutrina Espírita. Adorava principalmente as mensagens de Emmanuel e outros tantos espíritos que apresentavam a beleza evangélica da Doutrina em suas páginas. Sentia seu coração bem confortado com as leituras intensas que fazia das obras espíritas. E nas nossas reuniões sentia-se o embevecimento em que deixava-se ficar. Ele fora de família espírita, adotado de um orfanato, e apesar da atenção e carinho que recebia - reconhecia ele - sempre cultivara uma rebeldia, responsável pelo abandono do lar e por cair na vida do crime. Agora, depois de tantos anos, na prisão e mesmo depois de liberto, notávamos-lhe ainda muitas rebeldias em seu comportamento, perfeitamente compreensível pois a natureza não dá saltos... Quando saiu da prisão, alojou-se no Patronato Magarino Torres, um albergue do Estado para onde podem ir aqueles que não têm referências familiares nem onde ficar. Alguns companheiros desse trabalho, penalizados com a situação de abandono e de saúde precária em que se encontrava , pois já era um sexagenário com os pulmões bastante comprometidos, cotizaram-se para que ele pudesse ficar num abrigo mais humano e ao mesmo tempo mais próximo de nós. Mas um fato que nos marcou muito foi que nos seus primeiros dias de liberdade, num de seus passeios pela região oceânica de Niterói, ele passou por um teste espiritual que, mais tarde, nos confidenciaria. Estava ele andando por uma daquelas ruas bem desertas quando avistou uma bicicleta “dando sopa”, na sua expressão. Um impulso natural lhe veio à mente: “ Puxa, seria tão fácil...” . Diga-se de passagem: ele tinha muita experiência nesse campo. Aconteceu, porém, imediatamente, o conflito maravilhoso que surge em todo processo de renovação espiritual: Veio-lhe o pensamento: “ Não, eu não posso mais fazer isso, não dá!” E seguiu seu passeio... Tocou-me muito este episódio. Na simplicidade deste acontecimento estava justificado o nosso trabalho. Havia sido feito semeadura. E sementes brotaram... Lembramo-nos de Jesus quando disse “ Eu não vim trazer paz, mas a luta”. Nossas vidas não são diferentes da vida do Embevecido, só que não nos lembramos de muitos crimes que praticamos em outras existências ou não nos damos conta dos que fazemos nesta. Hoje vivemos a duras penas tentando vencer nossos conflitos. Tomara que tenhamos persistência para não desistir nas primeiras derrotas, também naturais...
O livro desejado
O rapaz ouvira falar alguma coisa do Espiritismo. Era de Além-paraíba, interior do Estado do Rio e estava cumprindo pena na capital. Por isso, andava sintonizando a Rádio “Rio de Janeiro”. Num desses dias estava a acompanhar um programa que explicava ensinos contidos no livro Evangelho Segundo o Espiritismo, e o exame do assunto o deixara muito interessado em conhecer o livro. Não me recordo se teriam sido horas depois ou no dia seguinte, um colega de reclusão chega à sua cela para lhe pedir um favor, pois já tinha informação de que ele sabia ler e escrever com relativa facilidade:
- Você poderia escrever uma carta prá mim . É que eu não sei ler nem escrever direito, e eu fiquei sabendo que você sabe... - Ah, claro, não tem problema, vamos lá...Você tem alguma coisa prá apoiar o papel? - Pô, valeu! – disse o outro - , eu trouxe papel e caneta. - Tá bom. E você tem alguma coisa aí prá gente apoiar o papel? – perguntou o rapaz de Além-Paraíba. - Tem esse livro aqui que me deram... O moço do interior bateu os olhos na capa do livro e qual não foi sua agradável surpresa quando leu: “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.
- Puxa vida rapaz!, eu tava mesmo querendo ler este livro! Você me empresta?! - Pode ficar, eu não sei mesmo ler direito.
E assim o rapaz começou a ler o primeiro livro espírita da sua vida. E começou muito bem, podemos afiançar.
Reflexão Evangélica
“Estive nu e me vestistes, doente e me visitas-te, preso e vieste ver-me” ( Mateus, 25:36 )
Estão aí as palavras evangélicas que têm servido de mote ao nosso trabalho: estive preso e vieste ver-me. E completa Jesus, mais adiante: “Cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes”. Mas há um detalhe que pode passar despercebido a muitos de nós. Esse ensino é o que Jesus mais repete – num mesmo momento – entre todas as suas falas. São quatro vezes seguidas ao todo: as duas primeiras num contexto de afirmação e as duas últimas num contexto de negação. Usa da repetição como recurso para enfatizar a idéia e com a finalidade de que ficasse muito claro o que Ele desejava de seus seguidores. Que pelos tempos afora, jamais se esquecessem disso. O uso desse recurso deve-se talvez também ao fato de já saber que não o faríamos, aquilo que considerava um ponto capital de seus ensinos. E assim, perderíamos a grande oportunidade de ajudar aqueles que se encontram aptos a serem ajudados, aqueles “terrenos” bons de serem semeados. Como já dissemos em artigo anterior, as condições de privação de liberdade faz algumas consciências despertarem um pouco, precisando apenas de esclarecimento espiritual para seu soerguimento. Invistamos nisto!!!! Jesus conta conosco!!!!
Um agente penitenciário complicado
Há muitos anos atrás, quando o I.P.Edgard Costa era uma unidade penal de regime fechado, havia ali um agente penitenciário com quem nos deparávamos certos domingos na entrada da unidade. Tinha uma implicância gratuita com a D.Espírita, e, “sobrava prá nós” – a equipe de agentes religiosos. Já tínhamos nos acostumado com isso, e tolerávamos sua “ranhetice”, ou seja, não ficávamos a discutir. Tratávamos de dar entrada na unidade - para não perdermos nosso tempo precioso com discussões vãs - e executar a tarefa que nos aguardava todos os domingos. Passado algum tempo, vendo que suas críticas não produziam o efeito que talvez desejasse, foi amainando e limitando-se a cumprir seu dever. Mais tarde, fora transferido para outra unidade, porque nunca mais estivemos com ele, ali. Cerca, talvez, de 2 a 3 anos depois, foi inaugurado pelo DAIP ( Departamento de Assistência ao Interno Penal do G. E. Leôncio de Albuquerque ) um trabalho numa unidade penal ( UP ) feminina que tinha sido reativada a pouco tempo. Digno de nota, que fomos convidados pela assistente social que já conhecia o nosso trabalho de outra unidade. Qual não foi nossa surpresa quando, ainda nos primeiros dias do trabalho, reencontramos o agente penitenciário, trabalhando igualmente na entrada da unidade. Maior surpresa ainda foi constatar a sua diferença de comportamento. Prá melhor! Agora, nos tratava não só com respeito, mas com simpatia. Sublime elixir, o tempo! O porquê dessa mudança não o soubemos, pois o nosso tempo não comportava um diálogo nesse nível, e também porque preferimos agir com discrição, mas o fato é que agora ele agia com inalterável simpatia. Essas lembranças que expomos, fazêmo-lo com o objetivo, de alertar todos que já laboram nesta seara – sejam iniciantes ou não -, bem como aqueles que tenham a intenção de entrar nessa tarefa, para que sejam muito cuidadosos. Não se agastem com as autoridades do sistema prisional, sob qualquer pretexto. Pra começo de conversa, nunca perder de vista que ali é uma unidade de segurança ; eles têm autonomia para não deixar o agente religioso adentrar a UP se qualquer coisa não estiver de acordo com as normas ou se a situação da UP no nosso dia de trabalho estiver instável. Não estamos defendendo submissão cega; queremos destacar apenas a necessidade de não entrar em discussão acalorada. Isso acaba por prejudicar o trabalho por inteiro, e podemos até ser chamado a atenção pela Direção por causa disso, como já aconteceu uma vez, se não estou enganado, no I.P. Ferreira Neto. Já presenciamos agente religioso, querendo fazer valer o direito de exercer a tarefa, “batendo boca” com agente penitenciário. Quando o agente religioso julgar que o agente penitenciário exorbitou dos seus poderes - agindo sem razão convincente - e mantiver esta atitude, apesar do questionamento educado do agente religioso, mesmo assim, não discuta! Leve o caso ao coordenador; juntos examinarão a conveniência de contatar o Serviço Social ou a Direção da UP. Com esse encaminhamento já resolvemos vários problemas.
Um preso latino-americano
O trabalho no I.P. Ferreira Neto foi o primeiro que surgiu em Niterói, e se mantém bem estruturado até os dias de hoje, em que pese uma que outra oscilação em termos de internos participantes. Há vários anos atrás, muitos presos latino-americanos envolvidos em tráfico de drogas foram transferidos para esta unidade penal. E alguns deles, passaram a participar de nossas reuniões. Possivelmente atraídos pelo discurso espírita já que inegavelmente há um forte apelo intelectual no mesmo e instrução era algo que não lhes faltava. Tivemos até certa dificuldade para equalizar as discussões, pois os presos brasileiros não tinham o mesmo cabedal que aqueles possuíam. Mas, de toda forma, íamos tentando fazê-lo, procurando atender às aspirações de todo o nosso público. Lembro-me até que um desses presos fez uma excelente pesquisa sobre perispírito, por iniciativa própria, e reuniu tanto material que chegou a elaborar uma apostila. Nesse período chegamos a adotar uma prática diferente: programávamos alguns desses internos para apresentarem alguns dos temas da nossa programação trimestral. Mas o preso de quem quero falar é outro. Podia-lhe perceber sua postura íntima, pela qualidade de suas reflexões e de suas emoções. Depois de um bom tempo participando das nossas reuniões, ele foi transferido para a carceragem da Polícia Federal, onde deveria aguardar seu processo de expulsão ser finalizado. Naquela época – agora não saberia informar – era possível fazer visitas aos presos. Cheguei a visitá-lo algumas vezes e depois as visitas a presos foram proibidas. Numa dessas visitas – não posso esquecer-me – ele me dizia, sentados no meio-fio da calçada do pátio, que ele já havia conhecido a D. Espírita antes de entrar no crime. Que ele era chefe de família, trabalhava como mecânico, autonomamente, e que possuía grande habilidade profissional, podendo viver em condição financeira tranqüila daquele ofício. Você vê como é a Vida – dizia ele, eu me deixei atrair por muito dinheiro. Por outro lado, eu precisei ser preso para conhecer a D. Espírita que eu “não conhecia” antes . Ficamos os dois espontaneamente em silêncio, meditando sobre os caminhos da Vida... Quantas vezes precisamos dar “murro em ponta de faca” para aprendermos a dar valor à mão. Essa história poderia ser de qualquer um de nós. É por essa razão que Aura Celeste, na sua mensagem Presidiários, através do médium Waldo Vieira, se expressa assim: “Quantas jóias espirituais de rara beleza, atoladas em escrínios de lama?!”
Um Vencedor
Seu negócio era fugir. Esteve na Ilha Grande e tentou evidentemente fugir. Por isso era considerado perigoso. Quando foi transferido para a Frei Caneca, sua mente logo começou a pensar na fuga. Até que um dia, observando uma reunião diferente numa sala, curioso, entrou para assistir. Foi o episódio divisor de águas em sua vida. Começou a freqüentar assiduamente a reunião espírita e gradualmente seu interior foi se modificando. Transferindo novamente para a Ilha Grande, já não era mais o mesmo preso da primeira vez. Junto com outro colega organizaram um centro espírita ali. Agora era visto de maneira diferente. Até um guarda considerado brabo tratava-o com muita deferência. Recebeu a responsabilidade de trabalhar na cantina. Um dia, esse mesmo guarda solicitou ao renovado interno: “ Você pode ir lá em casa ver o meu filho pequeno? Ele não come nada, parece sem vida,...” Pois não - disse o antigo fujão - , vamos sim. Chegando lá e vendo o menino prostrado no leito, orou e impôs a mão sobre a testa do mesmo. Eis que logo o menino pareceu recobrar a vida e sua saúde se normalizou. Tentando elogiar o feito, o agente penitenciário ouviu do renovado espírita que: “ era merecimento do menino”. Os anos se passaram ali, e mais uma vez foi transferido. Desta feita para a Penitenciária Vieira Ferreira Neto, em Niterói. Em pouco tempo, foi exercendo a liderança na organização da atividade espírita ali. Liberto, naturalmente, encontrou o interesse dos companheiros do Grupo Espírita Leôncio de Albuquerque para ajudá-lo em sua reinserção social. Quando ingressamos nessa tarefa bendita, ele já se encontrava há alguns anos levando a D.Espírita para o cárcere. E continua até hoje, inquebrantável! Louvada seja essa Doutrina bendita que nos reergue do fundo do poço moral em que vivíamos e que faz brilhar a nossa luz!!!
Uma mãe de preso
Tenho narrado episódios antigos que ficaram gravados em nossa memória devido ao seu conteúdo emotivo e carregado de lições para nós que já militamos nesta seara e para os que pretendam ingressar. Muitos anos atrás, no I.P.Vieira F. Neto, um rapaz que começou a nos freqüentar tinha por habito ficar calado e sério, apenas prestando atenção no que se falava durante a reunião. Mesmo instado a dizer alguma coisa a guisa de participação, preferia se manter na reserva. Somente pouco a pouco foi se soltando mais. Mesmo assim continuava quase sem falar, mantendo sempre uma expressão circunspecta. Era bastante assíduo, dos primeiros a chegar à sala de reunião e, invariavelmente, nos acompanhava a saída. Passados vários meses, um dia nos abordou e disse que sua mãe - que sempre o visitava - queria nos falar. Respondemos que estávamos a sua disposição. Ficamos algo expectantes para saber do que poderia se tratar. Quando ele a trouxe até nós, começou logo dizendo que queria agradecer muito a todos do grupo que ali promoviam a reunião, pois seu filho mudara muito, para melhor. “ Agora andava mais calmo, já não ficava sempre revoltado, e conversava com ela sobre as coisas que vinha aprendendo ali. E isso, deixava muito feliz o seu coração de mãe.” Dissemos a ela que esse mérito era todo dele. Ele estava sabendo aproveitar, e que ela não tinha do que agradecer-nos, mas, que compartilhávamos da sua alegria e que isso também era muito gratificante para nós, saber desses frutos que o trabalho vinha produzindo. Refletindo sobre tudo isso, recordo-me também de que um dia ouvi de um companheiro espírita : “ não acredito nesse trabalho”. Na hora fiquei meio chocado, meio magoado. Depois entendi que, como ele, muitas pessoas pensam naquela maioria de presos que não tem interesse em se modificar, e sem receber apoio concreto do governo para isso, acabam por engrossar a enorme parcela de reincidentes. Pensam também, que mesmo os que freqüentam trabalhos religiosos, efetivamente não se modificam. Bem, esse ponto merece mais reflexão. Concordamos que existem presos que não despertam o suficiente para intentar sua modificação. Mas há quem queira mudar de vida. Escutam na acústica de sua alma um “som” de cansaço daquela vida que levavam. Mas é importante lembrar que “a natureza não dá saltos” e ninguém - nem mesmo os que criticam – consegue se modificar como desejaria. Nem Paulo de Tarso o conseguiu. Então, esperar que os presos e egressos modifiquem plenamente seus sentimentos e hábitos de um momento para o outro é, no mínimo, uma atitude ingênua.
O SAEP realiza ou participa de alguns eventos em caráter regular. São eles:
- Reuniões de trabalho - a cada bimestre, nos meses pares, com dias e horários previamente agendados, geralmente nos sábados, reúnem-se as instituições vinculadas ao SAEP com o objetivo de planejar e organizar todas as atividades do SAEP.
- Seminário Estadual de Assistência Espírita ao Preso – de dois em dois anos, o SAEP faz realizar, em anos pares, um seminário a nível estadual, com o objetivo de difundir e divulgar por todo o Estado do Rio, o trabalho de assistência espírita ao preso e ao egresso.
- Encontros Regionais Espíritas de Unificação (EREU) – o SAEP procura participar destes encontros, também com o fito de divulgar a assistência espírita ao preso e ao egresso, atraindo para as suas fileiras toda a comunidade espírita. Tais encontros são realizados anualmente em todas as regiões do Estado do Rio.
Reuniões ordinárias da executiva do SAEP - ANO 2010
- 06 de março
- 01 de maio
- 03 de julho
- 04 de setembro
- 06 de novembro
Observação: as reuniões ordinárias serão sempre nos meses impares e aos sábados, das 15 às 18h.
Aqueles que desejarem nos contatar para quaisquer esclarecimentos poderão fazê-lo preferencialmente através dos e-mails disponibilizados no link “Estrutura atual do SAEP” , diretamente com as instituições vinculadas .
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